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Mari Vasconi, tem 25 anos, é fisioterapeuta e autora do blog Beleza Mista, onde ensina mulheres onduladas a valorizarem seus cabelos naturais e se libertarem da escravidão de escovas, chapinhas e ‘possessivas’. Assim como toda ondulada, ela chegou a acreditar que tinha um liso estranho, e também passou por situações de preconceito por não se enquadrar no padrão de beleza, como as colegas lisas da escola. Com a autoestima em baixa, ouviu aos 15 anos, do primeiro namorado, que só se casaria com ela se alisasse os cabelos, o que a levou à sucumbir às progressivas. Anos se passaram e ela percebeu que não havia nenhum problema em ser ela mesma, e após uma infinidade de testes, finalmente descobriu como manter o ondulado bonito, e só lamenta que a indústria não dê a mesma atenção à ele, que tem dado aos cacheados e as crespos atualmente. Convidada para participar do #projetosecretodoscachos representando os cabelos ondulados 2B, ela compartilha um pouco de sua trajetória aqui no Cachos e Fatos.

Mari exibe com orgulho suas ondas 2B

Sabrinah Giampá- Você sempre usou seu cabelo ondulado, ou como a maioria das onduladas sempre acreditou que tinha um liso estranho? Me fale sobre sua relação com seu cabelo natural da infância, adolescência até os tempos atuais. 

Mari Vasconi – Por muito tempo achei que meu cabelo era um liso estranho e indeciso mesmo – ainda mais porque as mulheres da minha família têm, todas, cabelo liso! Por isso, minha mãe cuidava dos meus cabelos como se cuidava de um cabelo liso: penteava todos os dias, não usava muito creme de pentear nem produtos específicos para definir as ondas (até porque na época, não haviam muitos). Na infância, não me importava muito de viver com o cabelo preso ou super volumoso e sem definição, mas na adolescência isso começou a incomodar, principalmente pelo fato em que estudava em uma escola onde a maior parte das meninas tinha cabelo liso. Eu comecei a ficar com vergonha do cabelo e vivia com ele preso.

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Por muito tempo achei que meu cabelo era um liso estranho e indeciso mesmo – ainda mais porque as mulheres da minha família têm, todas, cabelo liso! Por isso, minha mãe cuidava dos meus cabelos como se cuidava de um cabelo liso: penteava todos os dias, não usava muito creme de pentear nem produtos específicos para definir as ondas

Sabrinah Giampá – E ser diferente da maioria teve um preço?

Mari Vasconi – Frequentemente, ouvia piadinhas de que iam usar meu cabelo pra lavar a louça, apelidos como “Hermione”, “leãozinho” e “Shakira” (ok, esse eu gostava hahaha), e chegaram inclusive a colocar objetos e papéis no meu cabelo um dia, sem que eu percebesse, pra ver se esses objetos caíam ou se ficavam presos! Eu não me sentia segura com meu cabelo, e nem me achava bonita. Até que, quando arranjei meu primeiro namorado, com 15 anos, ele disse que só casaria comigo um dia se eu alisasse o cabelo. Pra uma adolescente que detestava o cabelo como eu, e que já havia ouvido várias piadinhas, aquilo foi o fim! Mas só com 17 anos minha mãe me deixou começar a alisar o cabelo, e eu continuei alisando por quase 7 anos.

Sabrinah Giampá- Acredita que o cabelo ondulado é o mais difícil de finalizar? Por que? 

Mari Vasconi – Sim, com certeza! No começo da transição, quando ainda não havia esse “boom” de produtos para cabelos cacheados no mercado, era quase impossível achar cremes de pentear que funcionassem no meu cabelo. Eu tinha, no máximo, cinco opções em casa que funcionavam, e a maioria dessas opções não era fácil de achar. Hoje, graças a Deus, tem tanta variedade no mercado que eu não consigo mais contar quantos produtos funcionam comigo! Mas ainda acho que o mercado tem que olhar com mais carinho para as onduladas, pois ainda vemos os produtos para cacheadas e crespas crescendo cada vez mais, mas poucas marcas entendem as reais necessidades do cabelo ondulado – e poucas entendem que ondulado não é só o cabelo da Gisele Bündchen, com as ondas mais abertas. Ainda acho que o mercado tem muito a evoluir no quesito de produtos específicos para cabelos ondulados, então ainda me vejo testando vários produtos para crespas e cacheadas e cruzando os dedos para funcionar comigo, mas tenho fé que um dia isso vai mudar.

Meu primeiro namorado, com 15 anos, disse que só casaria comigo um dia se eu alisasse o cabelo. Pra uma adolescente que detestava o cabelo como eu, e que já havia ouvido várias piadinhas, aquilo foi o fim! Mas só com 17 anos minha mãe me deixou começar a alisar o cabelo, e eu continuei alisando por quase 7 anos.

Sabrinah Giampá – Como costuma cuidar do seu cabelo para que ele fique sempre com ondas marcadas?

Mari Vasconi – Para mim, a técnica que mais funciona é a fitagem estruturada (inclusive é um dos vídeos mais vistos do meu canal). Sempre que faço essa técnica, se é com um creme bacana, tenho a garantia de que minhas ondas vão ficar bonitas, marcadas, e com volume na medida certa. Quanto aos produtos, como disse anteriormente, cremes de pentear ainda são uma incógnita (hahaha), então têm alguns que eu gosto mais do que outros, mas normalmente os mais hidratantes e nutritivos funcionam melhor comigo (contanto que não tenham muito óleo na sua composição, já que meu cabelo pesa facilmente com óleo). Ah, e não vivo sem gelatina e ativador de cachos, acho que foram as melhores descobertas que fiz até hoje! Sempre misturo algum deles com meus cremes de pentear, já que ajudam a me garantir mais de dois day afters – coisa quase impossível de se ter sendo ondulada!

 

Sabrinah Giampá- Como decidiu interromper as químicas e resgatar o cabelo natural?

Mari Vasconi – Eu me achava bonita de cabelo liso, mas sempre senti que faltava alguma coisa. Não gostava de ter que passar horas na escova e chapinha pro cabelo ficar totalmente liso, já que só a progressiva não dava conta de alisá-lo, nem da falta de praticidade que era ir pra praia ou piscina e ter que tomar cuidado pra não estragar o cabelo. Fora isso, as dores no couro cabeludo por conta das químicas e do secador estavam ficando insuportáveis! Um dia, quando fez muito calor no Rio de Janeiro em 2014, época que estava morando com meu ex-noivo, eu não tive paciência de fazer escova no cabelo e comprei um creme para cabelos cacheados na farmácia para deixá-lo ao natural. E quando meu ex viu, disse “Nossa, seu cabelo é bonito assim! Porque você não deixa natural mais vezes?” Pronto! Foi o aval que eu precisava para parar de vez com a progressiva! Desde aquele dia, parei com as químicas.

Ainda acho que o mercado tem que olhar com mais carinho para as onduladas, pois ainda vemos os produtos para cacheadas e crespas crescendo cada vez mais, mas poucas marcas entendem as reais necessidades do cabelo ondulado – e poucas entendem que ondulado não é só o cabelo da Gisele Bündchen

Sabrinah Giampá – E como foi sua transição capilar?

Mari Vasconi – Mas claro que a transição não foi fácil, eu caí na tentação de fazer escova e chapinha de novo várias vezes depois disso, mas a vontade de deixá-lo natural era maior. Nesse meio tempo, comecei a pesquisar informações para, finalmente, aprender a cuidar do meu cabelo, e caí nos blogs e canais existentes no Youtube. Mas então, outro problema surgiu: a maioria das coisas que as cacheadas e crespas ensinavam nos vídeos não funcionava no meu cabelo! Ou ele pesava demais e não definia, ou ficava leve demais e com volume incontrolável e sem nenhuma definição, como na época da minha adolescência. Ao invés de desistir de vez, comecei a testar vários produtos e técnicas no meu cabelo para ver o que funcionava e o que não funcionava, e comecei a compartilhar minhas descobertas com as minhas leitoras do blog e do canal (que já existiam antes dessa época, mas focavam mais em maquiagem e beleza em geral, não em cabelos). Foi aí que eu percebi que várias outras meninas passavam pelos mesmos problemas que eu – não sabiam que tinham cabelos ondulados e nem como cuidar deles!

Quando eu era mais nova, não via outra opção além de alisar meu cabelo, já que não tinha conhecimento para cuidar dele e nem muitos produtos específicos pra isso. Hoje, eu sei as técnicas, tenho uma variedade enorme de produtos para escolher, e posso optar se quero alisar meu cabelo ou deixá-lo ondulado – e claro que eu optei pelo natural e não abro mão dele nunca mais!

Sabrinah Giampá – Como surgiu o blog e qual a proposta inicial? Você acredita na democratização da beleza, das mulheres se amarem com o cabelo que nasceu com elas, sem criar uma dependência de químicas agressivas e escovas? Que mensagem você gostaria de transmitir com blog e canal do youtube?

Mari Vasconi – Eu li numa pesquisa uma vez que o cabelo é responsável por cerca de 70% da autoestima de uma mulher – ou seja, mais da metade! Então, a mensagem que eu tento transmitir com o blog, hoje, é de que você pode ser feliz com o cabelo que você tem, sem precisar encaixar-se em padrões de beleza impostos pela sociedade. Mas democratização pra mim também significa fazer o que tem vontade, ou seja, se você realmente não é feliz com seu cabelo natural, não vejo nenhum problema em alisá-lo – assim como se uma pessoa não gosta da cor natural dele, por exemplo, não tem nenhum problema em tingi-lo para mudar a cor! Acho que não devemos sair de uma ditadura (a do cabelo liso) para entrar em outra (a que você é obrigada a ser feliz com o cabelo que tem). Acho que a vida tem que ser vivida com leveza, e leveza pra mim é poder ter opção. Quando eu era mais nova, não via outra opção além de alisar meu cabelo, já que não tinha conhecimento para cuidar dele e nem muitos produtos específicos pra isso. Hoje, eu sei as técnicas, tenho uma variedade enorme de produtos para escolher, e posso optar se quero alisar meu cabelo ou deixá-lo ondulado – e claro que eu optei pelo natural e não abro mão dele nunca mais!

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