Ao contrário da maioria das cacheadas e crespas, Pamella Wyla nunca passou por progressivas, relaxamentos e afins. No caso dela, a influência positiva dos pais fez toda a diferença no caminho que percorreu em busca da autoaceitação do seu cabelo natural. 
Com apenas 18 anos, esta brasiliense conta o quanto foi difícil ultrapassar a barreira do preconceito para resgatar a própria identidade, mas garante que valeu muito a pena. Confessa também que teve sorte em não ter que passar por transição e big chop, e neste caso, agradece aos pais por impedi-la de cair na ditadura dos fios alisados.
Antes de ostentar os fios no seu volume natural, Pamella era adepta de escovas tradicionais para manter os fios lisos, ou besuntava-os com creme e mantinha-os bem presos. Livrar-se dessa rotina que a escravizava, a permitiu não apenas libertar os cabelos, mas libertar a si mesma dessa ditadura imposta pela mídia, onde ter cabelo liso é sinônimo de beleza. Pamella prova que não é bem assim…
“Eu nunca passei nenhum tipo de química no cabelo, e portanto, não fiz o famoso BC e nem passei por transição capilar. Mesmo assim, eu tinha o hábito de fazer aquela escova tradicional, mas não fazia com freqüência porque meus pais me repreendiam”




Sabrinah Giampá -Você sempre usou o seu cabelo natural?
Pamella Wyla – Eu nunca passei nenhum tipo de química no cabelo, e portanto, não fiz o famoso BC e nem passei por transição capilar. Mesmo assim, eu tinha o hábito de fazer aquela escova tradicional, mas não fazia com freqüência porque meus pais me repreendiam
Sabrinah Giampá – Então você não aceitava a textura natural do seu cabelo?
Pamella Wyla – Há três anos atrás não. Eu achava meu cabelo muito feio, e não gostava do volume que ele tinha.

Sabrinah Giampá – Fatores externos te influenciaram quanto a isso?
Pamella Wyla- Sem dúvidas. Era difícil aceitar meu cabelo do jeito que ele era por causa dos comentários preconceituosos das pessoas, e isso acontecia, inclusive, na minha própria família.

“Eu achava meu cabelo muito feio, e não gostava do volume que ele tinha. Era difícil aceitar meu cabelo do jeito que ele era por causa dos comentários preconceituosos das pessoas, e isso acontecia, inclusive, na minha própria família.”

Sabrinah Giampá – Como me contou, nessa época, você fazia escova de vez em quando, mas se não estava escovada, como usava o seu cabelo natural?
Pamella Wyla – Eu usava muito creme no cabelo, e por isso, ficava com aqueles cachos grudados, sem volume, e o resultado final era muito feio. Por isso, na maioria das vezes , eu usava ele preso. Fiquei durante muito tempo usando um coque horrível , numa tentativa frustrada de esconder  um pouco o  meu cabelo natural. 
Sabrinah Giampá – Mas ao contrário da maioria das meninas cacheadas e crespas, você contou com o incentivo de seus pais, e isso é muito importante. Comente como isso contribuiu com a sua autoaceitação?
Pamella Wyla – Meus pais sempre me incentivaram a aceitar meu cabelo natural. Foi por causa deles que eu não caí na cilada da progressiva, selante, e outras tantas formas de alisamento. Meu pai é negro, e para ele,  alisar o cabelo crespo é como tirar a sua identidade, negar a sua cor, suas origens.  Ele sempre me ensinou isso, mas devido à influências externas, acabei passando por aquele período onde eu não me aceitava de jeito nenhum.  
“Eu usava muito creme no cabelo, e por isso, ficava com aqueles cachos grudados, sem volume, e o resultado final era muito feio. Por isso, na maioria das vezes , eu usava ele preso. Fiquei durante muito tempo usando um coque horrível, numa tentativa frustrada de esconder  um pouco o  meu cabelo natural.”
Sabrinah Giampá – E quando sua relação com seu cabelo natural mudou?
Pamella Wyla – O meu pensamento em relação ao meu cabelo mudou  apenas no dia em que vi, na rua, uma mulher lindíssima de cabelos crespos. Ela tinha um blackpower  maravilhoso. Foi nessa hora que eu falei pra minha mãe que aquela desconhecida era tão linda assumindo o cabelo natural, que eu tinha até ficado com vontade de deixar o meu igual. Nessa hora me deu uma vontade louca de fazer um corte no meu cabelo.  Então, em 2011, eu cortei meu cabelo bem curto, e assim conquistei o volume que eu queria, após ser inspirada por aquela mulher blackpower.  Mas foi só eu cortar o cabelo, que os comentários maldosos recomeçaram com força total. 
Pamella e sua irmãzinha, Maria Clara, de apenas cinco anos,
que também é educada para amar seu cabelo natural
“Meus pais sempre me incentivaram a aceitar meu cabelo natural. Foi por causa deles que eu não caí na cilada da progressiva, selante, e outras tantas formas de alisamento. Meu pai é negro, e para ele, alisar o cabelo crespo é como tirar a sua identidade, negar a sua cor, suas origens.”
Sabrinah Giampá – Isso foi no seio familiar ou em suas relações sociais?
Pamella Wyla – Em ambos. Algumas pessoas da minha família criticaram muito, decididamente, não gostaram do que fiz no cabelo. As pessoas da minha escola ficavam me olhando com aquele olhar de: – Nossa, olha o cabelo dela!  Isso sem contar as perguntas que tive que digerir:  – Porque você cortou? Estava bem melhor antes! 
“O meu pensamento em relação ao meu cabelo mudou  apenas no dia em que vi, na rua, uma mulher lindíssima de cabelos crespos. Ela tinha um blackpower  maravilhoso. Foi nessa hora que eu falei pra minha mãe que aquela desconhecida era tão linda assumindo o cabelo natural, que eu tinha até ficado com vontade de deixar o meu igual.”
Sabrinah Giampá – E como você lidou com essas críticas?
Pamella Wyla – Persisti no meu ideal, que era assumir meu cabelo natural. 
Sabrinah Giampá – Você acredita que essa força diante dos comentários maldosos só surgiu quando a mudança interna acompanhou a externa?
Pamella Wyla – Com certeza . Assumir  o cabelo natural foi, primeiramente, uma mudança interna. Você precisa estar completamente decidida e disposta, porque o preconceito é grande, você sente olhares e comentários maldosos em cima de você, sem contar  que exige paciência, principalmente para as meninas que fazem o BC e/ou passam pela transição capilar.
“Foi só eu cortar o cabelo, que os comentários maldosos recomeçaram com força total. Algumas pessoas da minha família criticaram muito, decididamente, não gostaram do que fiz no cabelo. As pessoas da minha escola ficavam me olhando com aquele olhar de: – Nossa, olha o cabelo dela!  Isso sem contar as perguntas que tive que digerir:  – Porque você cortou? Estava bem melhor antes!”
Sabrinah Giampá – Você acredita que existe uma ditadura dos cabelos longos e lisos no Brasil?
Pamella Wyla- Existe sim essa ditadura de cabelos longos e lisos no Brasil. Basta prestar atenção nos comerciais de xampu, onde é muito difícil vislumbrar um cabelo crespo ou cacheado. 
Sabrinah Giampá – Falta referências na mídia para cacheadas e crespas se espelharem?
Pamella Wyla – Na TV falta sim, mas na internet tem muitas. Sempre leio histórias fantásticas sobre a aceitação do cabelo natural. Cito até as blogueiras, Rayza Nicácio e Priscila Silva Costa, que me ajudaram bastante com suas dicas preciosas, vira e mexe, coloco em prática algumas dessas dicas, e consigo ótimos resultados. 
“Assumir  o cabelo natural foi, primeiramente, uma mudança interna. Você precisa estar completamente decidida e disposta, porque o preconceito é grande, você sente olhares e comentários maldosos em cima de você, sem contar  que exige paciência, principalmente para as meninas que fazem o BC e/ou passam pela transição capilar.
Sabrinah Giampá – Como você tem cuidado do seu cabelo natural?
Pamella Wyla – Atualmente, eu tenho um cuidado enorme com meus cachos. Estou sempre hidratando, e tento usar o shampoo certo. 
Sabrinah Giampá – Você gasta muito dinheiro para cuidar do seu cabelo natural?
Pamella Wyla – Não posso dizer que gasto muito, mas estaria mentindo se dissesse que gasto pouco também. 
“Existe sim essa ditadura de cabelos longos e lisos no Brasil. Basta prestar atenção nos comerciais de xampu, onde é muito difícil vislumbrar um cabelo crespo ou cacheado(…) Na TV ainda faltam referências de cabelos crespos, mas na internet tem muitas. Sempre leio histórias fantásticas sobre a aceitação do cabelo natural. “
Sabrinah Giampá – Com todos esses cuidados, qual a relação que você tem com o seu cabelo hoje?
Pamella Wyla – Posso dizer que sou muito feliz com o meu cabelo, muito feliz mesmo. Eu não tenho medo de andar na rua com um volumão ou com um penteado diferente. 
Sabrinah Giampá – Embora não tenha passado por nenhuma química, acredita que é mais fácil cuidar do cabelo natural, se comparado com o quimicado?
Pamella Wyla – Com certeza é  bem mais fácil cuidar de um cabelo crespo/cacheado natural do que cuidar de um cabelo com progressiva. Você gasta muito dinheiro com a química, e na maioria das vezes, não obtêm o resultado esperado. Sem contar que o cabelo fica bastante frágil e exige um cuidado maior. 
“Posso dizer que sou muito feliz com o meu cabelo, muito feliz mesmo. Eu não tenho medo de andar na rua com um volumão ou com um penteado diferente(…) Com certeza é  bem mais fácil cuidar de um cabelo crespo/cacheado natural do que cuidar de um cabelo com progressiva. Você gasta muito dinheiro com a química, e na maioria das vezes, não obtêm o resultado esperado. Sem contar que o cabelo fica bastante frágil e exige um cuidado maior.”
Sabrinah Giampá – Você é adepta das rotinas Low Poo/No Poo?
Pamella Wyla – Eu nunca tentei  seguir as rotinas low poo/ no poo.
Sabrinah Giampá – Quais são os seus produtos favoritos?
Pamella Wyla – Eu gosto muito da linha para cabelos crespos da Avon, é ótima. Também adoro o creme de hidratação de azeite de oliva da Novex.  
A máscara da Novex, de azeite de oliva, é a preferida de Pamellla Wyla para cuidar dos cabelos crespos
Sabrinah Giampá – Costuma usar penteados?
Pamella Wyla – Sim, eu faço alguns penteados. Particularmente, gosto muito de fazer um penteado em que coloco o cabelo todo de um lado só. Também gosto de fazer coque com topete e um penteado que cria uma espécie de franja falsa.

“A vida me ensinou a transformar o preconceito em uma forma de aprendizado, de amadurecimento. O preconceito me tornou uma pessoa mais forte(…) Porque depois de todas as dificuldades e lágrimas, vem algo bem melhor. Depois do purgatório, vem o paraíso.”
Sabrinah Giampá – Que recado você deixaria para as meninas que ainda não conseguiram aceitar o seu cabelo natural devido ao preconceito, e são dependente de químicas e afins?
Pamella Wyla – O que tenho a dizer para as meninas, que não conseguem se aceitar por causa do preconceito, é que por mais difícil que seja, por mais doloroso que seja ouvir um comentário preconceituoso ou um olhar, é importante não se deixar abater por essas coisas. A vida me ensinou a transformar o preconceito em uma forma de aprendizado, de amadurecimento. O preconceito me tornou uma pessoa mais forte. Em especial para as meninas que fizeram o BC, e entraram nessa jornada de aceitar o cabelo natural: não desistam! Porque depois de todas as dificuldades e lágrimas, vem algo bem melhor. Depois do purgatório, vem o paraíso.


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