Sinto falta de ter a cabeça vazia
De colocar as preocupações de lado
Como caixas de mudança
prestes a serem despachadas
Sinto falta de respirar sem o pesar inquisitório da rotina
Sinto falta do tempo em que não havia tempo
Onde os relógios eram objetos decorativos
Que não regiam meu espaço
Meu contexto
Meus momentos de solidão

Também sinto falta da solidão
Dos momentos para pensar sem ser interrompida
[As responsabilidades nos interrompem o tempo todo
Não dá pra desanuviar]

Sinto falta de ter para onde fugir
Quando meu cérebro não aguenta
Mas não tem como fugir de si mesma
Não tem como ignorar as preocupações impostas
pelo sistema
Como viver afinal sem abrir mão da própria existência?

Tento pincelar com cores disponíveis o preto e branco do caminho
Tento enxergar o que ninguém vê
Tento despistar meus desatinos
Tento me encontrar na imensidão

Palavras naufragam no tempo
Se perdem no relógio causador da exaustão
Enganchadas nos ponteiros
deixam de existir
Apenas coexistem
Se aglutinam
Disformes
Castigantes
Pedindo para sair
De cena
Ao menos uma vez
Pedindo para ganhar forma
Ou se perder de forma
De não se acharem novamente

Às vezes estar perdido é a melhor forma de se encontrar
Desencontros geram encontros
Rupturas geram palavras
Ao vento
No tempo
Imperceptíveis
Só para quem sente
Pressente
Intui
E sonha
Ausente
E que opta por apenas sentir
Opta por não estar mais ali
O tempo todo
Sem tempo
Para ser o que restou
Enquanto a vida se perde
Desfragmentada
A espera de quem a apanhe
No meio do caminho
E a peça pra voltar
E a faça ser vivida
Não perdida
Que a ajude a se encontrar
Sem lugar no tempo
Mas com tempo para viver o que restou

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Comentários no Facebook